
Cartagena.- Hoje foi aberta a primeira mesa redonda de discussão da Conferência Regional de Educação Superior (CRES 2008), que trata o tema do impacto da CRES de 1996 e da Conferência Mundial de 1998 na educação superior de América Latina e o Caribe nos últimos 10 anos.
A Conferência Regional de Educação Superior de 1996 foi realizada em Havana, Cuba, com o objetivo de identificar os problemas que as universidades deviam abordar nos âmbitos regional e internacional. Cada um dos palestrantes ofereceu sua visão particular do impacto sofrido pela educação superior na América Latina e no Caribe, tanto a CRES de 1996 como a Conferência Mundial de 1998, realizada em Paris, França.
Marco Antonio Rodrigues Dias, representante da Universidade da ONU, ressaltou como um dos aspectos positivos da Conferência Mundial de Educação Superior de 1998 a proposta de reformulação das instituições superiores de ensino. “Se queremos reformar a universidade, há que considerar que esta não pode preocupar-se somente com a qualidade formal, de seus programas, nem por procurar a qualidade em modelos alheios à sua realidade social”.
Ele também comentou que “durante um exercício de reflexões preparatórias da Conferência Mundial de 1998 , em todas as regiões do mundo, ficou claro que antes de procurar o tipo de educação superior que se quer construir, é necessário definir um modelo de sociedade que se quer atingir. Portanto, qualidade e pertinência são conceitos complementares que caminham juntos”, complementou.
Carlos Tunnerman, pesquisador de UNESCO-IESALC e ex-ministro de Educação de Nicarágua, destacou que a CRES 1996 marcou uma meta no desenvolvimento da educação superior da região. Além disso, afirmou que “durante a CRES 1996 discutiu-se a pertinência na educação superior como um conceito que não pode conceber-se sem a qualidade, a pertinência e a qualidade estão estreitamente unidas. São conceitos interdependentes como as duas caras de uma mesma moeda”.
Ele acrescentou ainda que o século XXI surge um novo desafio: “transformar novamente nossas universidades latino-americanas para que respondam aos desafios da sociedade contemporânea”.
Finalmente, Jorge Brovetto, ex-ministro de Educação e Cultura do Uruguai, afirmou que em meados dos anos 90 a Organização Mundial do Comércio (OMC) fez uma resolução que incluía a educação superior dentro dos serviços regulados, pelo qual a educação passaria a ser um bem de mercado. Posteriormente, na Conferência Mundial de 1998, conseguiu-se uma resolução que se opôs a este conceito de mercantilização da educação, declarando a educação como um bem público.
Rafael Guarga, reitor da Universidade da República do Uruguai, foi o coordenador da mesa. Termos Também participaram Marco Antonio Rodrigues Dias, do Brasil, Jorge Brovetto do Uruguai, Carlos Tunnermann, e Albord Cantar, da Argentina, como relator. |