
Cartagena.- A Conferência Regional para a Educação Superior (CRES 2008) promoveu nesta quinta-feira mesa redonda sobre os 90 anos de Córdoba, a universidade latino-americana. A atividade foi promovida pela Organização Continental Latino-americana de Estudantes (OCLAE), coordenada pelo presidente da entidade, o estudante cubano Luís Arza Valdés.
Os presentes à mesa-redonda defenderam a importância de uma segunda reforma universitária, vinculada ao desenvolvimento, ao trabalho e à transformação da sociedade. Eles destacaram, ainda, a necessidade de recusar os processos de mercantilização da educação, premissa que vem sendo defendida pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Para os estudantes latino-americanos, também é papel da Unesco recomendar, de forma incisiva, o acesso universal e gratuito à educação superior pública e de qualidade. Eles apóiam ainda a proposta, apresentada e defendida em muitas atividades realizadas durante a CRES 2008, de aumento e regularização de aporte de recursos e apoio institucional das ciência e tecnologia desenvolvidas nas instituições de ensino superior da região.
Outra proposta originária da mesa-redonda diz respeito à urgência da adoção de mecanismos, reconhecidos em toda a América Latina e o Caribe, de intercâmbio universitário, bem como o reconhecimento dos diplomas, a transversalidade da formação acadêmica e a articulação entre investigação científica e extensão universitárias.
Da mesa-redonda também apresentadas propostas de resgate dos princípios definidos em Córdoba e os aplicá-los em países nos quais ainda não foram reconhecidos e adotados: autonomia universitária, governabilidade e respeito aos direitos humanos dos estudantes.
A mesa-redonda sobre a experiência de Córdoba encaminhou outras propostas: potencializar o papel do Estado para o desenvolvimento do sistema de educação superior, garantir e fortalecer a permanência de docentes nas instituições públicas de ensino, estabelecer mecanismos que regulem e assegurem a qualidade e a pertinência para a criação de instituições privadas de ensino, formação de estudantes e introdução de capital estrangeiro nos sistemas de educação superior de cada país. Os estudantes ainda destacaram a necessidade de criar mecanismos que assegurem as propostas que vão ser apresentadas ao final da CRES 2008.