
CRES 2008.- Uma semana após o término da Conferência Regional para a Educação Superior, evento que reuniu em Cartagena das Índias, na Colômbia, 3.500 pessoas de 33 países, o Iesalc Informa entrevista a diretora adjunta do Instituto Internacional da Unesco para a Educação Superior na América Latina e no Caribe (Iesalc), Sueli Pires, que faz um balanço sobre as programas e sistemas de avaliação da educação superior na região. Sueli Pires coordenou as atividades em torno do eixo temático “Acreditação e avaliação da educação superior na América Latina e no Caribe”, tema da CRES 2008 e que também integra o livro “Tendências da Educação Superior”, editado pelo Iesalc.
P: Por que são importantes os processos de acreditação e avaliação para as universidades latino-americanas e caribenhas?
SP: Esses processos, que buscam analisar instituições, programas e cursos, são absolutamente necessários para assegurar a qualidade da educação superior, temática que está colocada firmemente na agenda da maioria dos países desde o início da década de 90. Em parte, esse quadro é conseqüência da educação superior ter se tornado central no debate em torno da “sociedade do conhecimento”, ou seja, da era da informação; a educação superior é um componente essencial para o desenvolvimento dos países. Ao mesmo tempo, a educação superior, atualmente, não se encontra restrita às fronteiras nacionais. O conhecimento, o desenvolvimento tecnológico, a oferta de serviços em educação, mesmo as pessoas cruzam
fronteiras e a globalização tem se convertido em uma das palavras chave de nosso tempo.
As transformações sociais que afetam a educação superior na maioria dos países da América Latina – na realidade, em todo o mundo – têm determinado uma necessidade de melhor observar, de assegurar atenção especial, ao que está ocorrendo nos distintos sistemas e, sobretudo, têm gerado uma preocupação explícita em relação à qualidade da educação ofertada por distintos provedores a uma população heterogênea de estudantes. O tema da qualidade da educação interessa às universidades, mas também afeta, diretamente, os estudantes de todos os países.
P: Que aspectos têm sido considerados pelas agências de acreditação para avaliar um curso de uma universidade?
SP: Os critérios e procedimentos de avaliação e de acreditação, em todos os países da região, realizam-se a partir de marcos regulatórios definidos em relação a cada tipo de programa. Em alguns casos, há regulamentações mais antigas, mas de uma maneira geral, os países estão, agora, atentos à necessidade de se adaptar à nova realidade. Em geral, os cursos e programas são submetidos a avaliações periódicas, e realizam-se a partir de processos e sistemas de avaliação múltiplos, como por exemplo: perfil institucional, conteúdo, justificativa, atualização e pertinência da proposta, composição da grade curricular, duração e carga horária, corpo acadêmico, perfil de formação dos estudantes (ingressos e egressos), infra-estrutura, entre outros.
P: E no futuro, que aspectos deveriam ser considerados pelas agências de acreditação para que a educação oferecida pelas universidades seja de qualidade e também pertinente?
SP: Esta é uma necessidade que se configura no presente. As agências e outros organismos de avaliação e acreditação nacionais devem considerar o impacto que se gera com a formação acadêmica dos estudantes em relação a aspectos como: a produção e a circulação de novos conhecimentos comprometidos com o desenvolvimento local, regional e nacional; a oferta da educação de qualidade, aliada às necessidades do contexto em estão inseridas as instituições e atores; a disseminação de uma cultura educativa solidária; o respeito à diversidade; em suma, a promoção da educação superior que objetive o bem-estar social para o desenvolvimento sustentável de nossos países.