
Caracas.- Durante uma coletiva de imprensa que acorreu durante a Conferência Regional de Educação Superior -CRES 2008-, realizada entre os dias 4 a 6 de junho em Cartagena, Colômbia, os reitores das universidades de São Paulo e do Haiti, Suely Vilela Sampaio e Jacky Lumarque, respectivamente, fizeram um panorama da educação superior de cada um de seus países, o que evidenciou as enormes diferenças entre as duas nações e a necessidade de cooperação entre os países da região.
Segundo o Mapa da Educação Superior, Brasil é o segundo país de América Latina com maior matrícula de pós-graduação - o primeiro é México- e é onde se concentra 35.5% dos estudantes inscritos em doutorados na América Latina e no Caribe.
Por outro lado, o Haiti é o país com a maior taxa de analfabetismo da região- 40,2% da população maior de 15 anos; além de necessitar sistemas de credenciamento, de políticas de financiamento, e ainda ser o país com maior fuga de cérebros para os Estados Unidos e Canadá.
O reitor Lumarque, falou – durante a coletiva de imprensa - dos baixos índices de matrícula na educação superior que existem em seu país, e também disse que um grande trabalho está sendo feito para conseguir ampliar a cobertura nas zonas mais distantes da capital. O Brasil coopera com Haiti de várias formas e uma delas é comandando a força de paz no país. Neste sentido o reitor disse “queremos dar o passo da cooperação militar à cooperação humana”.
“Fazemos grandes esforços por melhorar e assegurar a qualidade da educação superior e, sobretudo, garantir que a maioria dos estudantes entre no sistema, sem importar sua classe social. O que nos interessa é sua capacidade intelectual e seu talento”, destacou Lumarque. Admitiu que existem "desafios enormes não só em educação superior" e explicou que o país não foi capaz de assegurar a oferta da educação como um bem público, nem sequer na educação primária.
Enquanto, Suely Vilela, também é a presidente da Rede de Macrouniversidades da América Latina e do Caribe, disse que o Brasil mantém programas de cooperação com o Haiti, e ofereceu facilitar o intercâmbio de experiências de sucesso com o Haiti.
“Brasil está aberto para esta cooperação mais humana, para fortalecer as relações em campos econômicos”, como caminho para a busca da equidade regional. É necessário estimular e fortalecer a cooperação, enfatizou a reitora. Suely disse ainda que concorda com seu colega do Haiti quanto à fuga de cérebros que ocorre nos dois países.
Afirmou que em seu país há uma legislação que estimula a volta dos graduados no exterior, pois a qualidade do ensino depende também desses recursos humanos que voltam e transferem seu conhecimento.
Acrescentou que o Brasil "investiu muito na formação de doutores" e que é preciso "transformar esse conhecimento em riqueza para melhorar a qualidade de vida da população".
Uma das recomendações resultantes da CRES 2008 trata do estabelecimento de mecanismos efetivos para a cooperação regional, que permitam reparar as extremas desigualdades que existem no campo da educação superior da região.
A Universidade de São Paulo é a maior universidade pública do Brasil e a terceira maior da América Latina enquanto a universidade do Haiti segue num processo de construção e fortalecimento, onde a cooperação se faz fundamental para seu sucesso, finalizou o reitor Lumarque.