
Em dezembro de 2007, o Ministério da Educação submeteu ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um Projeto de Lei propondo a criação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), instituição para ter sua sede em Foz do Iguaçu, Estado do Paraná, devido à confluência, nessa cidade da fronteira, de três países sulamericanos, o que favorece a idéia de diálogo e interação regional.
Na Exposição Interministerial de Motivos reconhece-se a urgência de promover, por intermédio do conhecimento e da cultura, a cooperação e o intercâmbio solidários com os demais países da América Latina, aspiração histórica que se tornou imperativa nos dias atuais. Num contexto de integração regional, as universidades constituem instituições privilegiadas para a instauração da cultura do respeito à diversidade concomitante a uma interação compartilhada do saber e da tecnologia. Destaca-se a necessidade de interiorizar e expandir a rede de instituições federais brasileiras nas regiões mais distantes dos centros urbanos desenvolvidos, inclusive nas regiões da fronteira com os países vizinhos da América do Sul.
Entre os fundamentos de criação da Unila sobressai a necessidade de repensar a universidade em termos nacionais e transnacionais devido à existência de desafios comuns que precisam ser superados em escala transfronteiriça nas próximas décadas, entre os quais destacam-se a redução das assimetrias sociais e a construção de modelos éticos de desenvolvimento capazes de permitir o advento de sociedades mais sustentáveis, conciliando crescimento econômico com equidade e equilíbrio ambiental.
O seu compromisso transcende reduções particularistas, tendo assim a pretensão de edificarse e de ser referência para indicar e induzir caminhos que conduzam ao respeito mútuo e à reciprocidade de expectativas. Numa sociedade do conhecimento, a universidade precisa ampliar e fortalecer a sua tradição de referência. E, só o fará, à medida que conseguir reinventar-se e reconstruir-se à altura das incertezas e inseguranças que marcam nosso tempo.
A idéia subjacente é que no futuro as sociedades dependerão, ao menos em parte, do grau de liderança intelectual e social das universidades. No contexto da América Latina, essa condição sobressai visivelmente tanto em decorrência da história da colonização do continente, como do papel que se reserva à América Latina para o avanço da democracia e da cultura de paz.