| Cartagena.- A Conferência Regional de Educação Superior- CRES 2008- foi um evento histórico de grande transcendência para a educação latino-americana e caribenha. Existem muitas reflexões e conclusões ainda que ainda devem ser analisadas, por isso lhe solicitamos Dra Sally Bendersky, Chefe da Divisão de Educação Superior do Ministério de Educação da República do Chile, que nos concedesse uma entrevista para falar sobre suas experiências na CRES 2008 e suas expectativas para a Conferência Mundial do 2009.
P: Você poderia falar cobre algumas experiências concretas de reformas que tiveram sucesso na Educação Superior na América Latina e no Caribe que?
SB:Desde a Conferência Mundial de 1998 viemos desenvolvendo como região uma série de reformas na educação de nossos países, mudanças que embora não necessariamente resultem da Conferência, mas pode-se sim dizer que este encontro serviu para reforçar o caminho que muitos países já tinham iniciado ou a começar a tarefa em outros. No entanto, duas dimensões da necessidade de adaptar-nos são realmente críticas ao momento de empreender reformas e políticas públicas e pelas quais a região adotou: o aumento da cobertura e a temática da qualidade, tanto em sua medida como em sua promoção. Podemos ver que os países foram adotando diferentes reformas para abordar estes fenômenos. Permita-me deter na qualidade, nossa sub-região, teve sucesso no processo de certificação da qualidade entre seus países no sistema MEXA hoje denominado ARCU-SUL, no que assumimos o credenciamento como um instrumento de central importância em nosso sistema de educação superior.
P: Das propostas que foram elaboradas na CRES de 1996 e a CMES de 1998 quais delas realmente se transformaram em reformas da educação superior de nossos países?
|
|
SB: A Conferência Mundial, bem como o encontro regional preparatório, deram conta dos diversos desafios que enfrenta a Região para sua educação superior, principalmente o ‘Marco de Ação Prioritária para a Mudança e o Desenvolvimento da Educação Superior', o principal foi centrar à educação superior como catalisador de todo o sistema educativo e articular nossa educação superior como parte do conceito de formação permanente.Agora, algo que já é transversal nas instituições de educação superior em nosso sistema regional é que elas quase em sua totalidade, definiram sua missão de acordo com as necessidades presentes e futuras da sociedade mediante diversos instrumentos, como os planos estratégicos, por exemplo; hoje contamos com uma educação superior em general alinhada com seu meio, com a realidade de cada país, mas deve-se seguir aprofundando. Tivemos reformas normativas tanto na Bolívia, Brasil, Argentina, México, Chile - Argentina a partir da década de 90. Em termos de qualidade foram criadas instâncias de avaliação e credenciamento na Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Costa Rica, México e Chile.Houveram muitas mudanças, mas a CMES serviu como marco para estas mudanças, para reforçar à educação superior como centro gerador de progresso e desenvolvimento dos países.
P: Quais são os conceitos que não deveriam estar ausentes dos processos de reformas que requerem os países latino-americanos e caribenhos no âmbito da educação superior?
SP: Estamos em constante mudança em nossos sistemas, nos últimos dez anos a educação superior na América Latina e no Caribe avançou de maneira importante em tamanho e diversificação.
Mas os conceitos não são muito diferentes dos que nos convocaram tanto para o CRES 1996 como a CMES 1998, a ênfase é o que deve ser o
|
|
diferenciador nesta etapa.
Deve haver um reforço da qualidade em nosso sistema, isto é, tanto pela via das avaliações e o credenciamento, devemos dar certeza aos estudantes, suas famílias e a comunidade nacional que contamos com uma educação superior que cresce, mas que se preocupa por integrar padrões de qualidade de seu produto educativo.Devemos reforçar o vínculo da educação superior com o meio, isto é, fomentar que as instituições se envolvam cada vez mais com suas declarações e sobretudo com suas ações com o futuro do ambiente onde se desenvolvem. Devemos buscar uma educação superior regional, um espaço de educação superior da América Latina e Caribe no qual a mobilidade de estudantes e acadêmicos não seja a novidade, senão o cotidiano. Devemos avançar no aproveitamento das novas tecnologias para o processo educativo, que esta grande mudança tecnológica que tivemos desde a CMES 1998 seja o impulso determinante para abrir maiores espaços de acesso e desenvolvimento da educação superior. Finalmente devemos buscar que a educação superior seja parte da educação contínua, onde cada vez as palavras educação e vida se façam mais sinônimas.
|