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IESALC Informa
Boletín Nro. 187


Entrevista com María Egilda Castellanos:

"As transformações estruturais de fundo na Educação Superior são fundamentais".


Atualmente, dentro da região e fora dela, está sendo gerada uma discussão acerca das transformações que as universidades devem realizar para se adaptar aos novos tempos. Inclusive, na Declaração CRES 2008 se insta gerar tais mudanças “ para afastar os baixos níveis de desempenho, a evasão e o fracasso estudantil”.

María Egilda Castellanos, ex-reitora da Universidade Bolivariana da Venezuela, apresenta algumas iniciativas que estão sendo realizadas na América Latina sobre estes temas. Particularmente, fala sobre as propostas que a Venezuela está desenvolvento para responder às novas necessidades mundiais.

Poderia nos falar sobre as experiências bem-sucedidas de transformação universitária na América Latina?

Naturalmente, na América Latina existem experiências bem-sucedidas de transformação universitária que estão relacionadas, fundamentalmente, com algumas tentativas como as que estão sendo feitas na Venezuela, de inclusão, qualidade, pertinência, gestão do conhecimento, mais nas universidades oficiais do que nas universidades privadas.

Os países da América Latina, no caso do Brasil, da Argentina e do México, têm centros de investigação importantíssimos nos quais foram gerados conhecimentos de ponta. No entanto, sob o meu ponto de vista, têm o grave problema, sobretudo no Brasil, não tanto na Argentina e no México, de que a inclusão na educação, em relação à educação pública, está reduzida e está muito monopolizada pela educação privada. Ou seja, é o país em que a educação privada mais cresce na América Latina, junto com a Colômbia.

No caso da Venezuela, quais iniciativas estão sendo realizadas para propiciar a transformação da Educação Superior?

Na Venezuela, especificamente a partir de 2000, poderíamos dizer que temos feito um importante esforço para transformar a sociedade venezuelana em todas as suas estruturas. Naturalmente, a educação não escapou disso, pois uma das diretrizes do Estado venezuelano é dar prioridade ao desenvolvimento social, e os dois pilares fundamentais do desenvolvimento social são a educação e a saúde. Portanto, os erforços realizados para transformar a educação e, principalmente, a Educação Superior são realmente importantes.

Em primeiro lugar, a expansão da educação em todo o território nacional através da Missão Sucre e através da estratégia da municipalização. Isto permitiu um crescimento importante da educação, uma vez que já passamos de aproximadamente 500 mil estudantes em 1990 a 2 milhões e meio de estudantes em 2008.

Por outro lado, foi constituída a universidade Bolivariana da Venezuela que quebra a concepção fragmentária do conhecimento.

Igualmente, encontra-se o caso da Escola Latino-americana de Medicina que alberga aproximadamente 25.000 estudantes provenientes de toda a América Latina, inclusive do mundo. Eles também têm um processo de formação diferente, realizando um trabalho direto do futuro médico nos hospitais, nos CDI, nos consultórios do “Bairro Adentro”, etc, ou seja, uma formação humanista.

Depois poderíamos assinalar a Missão Alma Mater que é o grande projeto estratégico realizado neste momento pelo governo nacional no qual se pretende transformar 29 institutos universitários em universidades experimentais, além de construir um conjunto de universidades e institutos especializados.

Destaca-se, além disso, um projeto que já está em funcionamento, que é o Instituto de Agroecologia Latino-americano “Paulo Freire”, inédito, inclusive na América Latina, pois está dirigido à formação de camponeses. Os camponeses pertencem a uma classe totalmente excluída na América Latina e este projeto está direcionado a formar os filhos dos camponeses em agroecologia especificamente. O diploma que irão obter é de Técnico Superior em Agroecologia e Engenheiro em Agroecologia, ou seja, vão ter dois diplomas. Assim, podemos evidenciar importantes transformações na Educação Superior na Venezuela que, neste momento, nos deixam muito orgulhosos.


Poderia especificar quais são os elementos que devem ser transformados na Educação Superior Latino-americana?

Além da inclusão, considero que são fundamentais as transformações estruturais de fundo, desde a raiz, que devem modificar as formas de pensar, as formas de conceber o conhecimento, as formas de se apropriar do conhecimento, a forma de administrar o conhecimento, a relação professor-aluno, as próprias lógicas que funcionam dentro das instituições de Educação Superior, que é a lógica disciplinária e que mantém as instituições separadas entre si.

A organização interna das faculdades não permite a integração do conhecimento e é nociva para as novas formas que estão sendo geradas hoje em dia para produzi-lo. O enclaustramento das universidades, a falta de relação entre uma universidade e outra quanto à cooperação, complementariedade e solidariedade entre elas é o que está acontecendo atualmente. Basicamente o que existe é uma competição.

Pois bem, isso é o que se está tentando romper através de alguns trabalhos realizados. O primeiro, feito pela Universidade Bolivariana da Venezuela foi o mais importante; é um desenho curricular que trabalha por eixo de conhecimento, integrando-se com a formação profissional, com o eixo político, cultural, estético, ético, lúdico; a relação direta dos estudantes com elas; a organização em grandes campos de conhecimento e não em faculdades; a atenção permanente ao desempenho estudantil; a atenção permanente ao desempenho dos professores; a formação permanente dos professores, são os elementos que fazem uma diferença importante entre a forma como geralmente a universidade é concebida na América latina, com esta nova universidade Bolivariana.



María Egilda Castellano Ágreda de Sjöstrand .

Desempenha o cargo de Assessora Acadêmica do Ministério do Poder Popular para a Educação Superior, desde julho de 2007 e é Socióloga da Universidade Central da Venezuela. Pós-graduações: Mestrado em História Contemporânea da Venezuela. Mestrado em Educação. Menção: Educação Superior, Universidade Central da Venezuela. Doutora em Educação Superior, Universidade Central da Venezuela. Foi Reitora da Universidade Bolivariana da Venezuela durante os anos 2003-2004.

Por Asdrubal Santana
UNESCO-IESALC




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