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IESALC Informa
Boletín Nro. 191
 
Internacionalização da Educação Superior: Avanços e Perspectivas na América Latina e no Caribe
Uma reflexão com vistas à Conferência Mundial da Educação Superior (Paris, 2009)
 

A Conferência Mundial "As Novas Dinâmicas da Educação Superior e da Investigação para a Mudança Social e o Desenvolvimento", que será realizada em Julho, na sede da UNESCO em Paris, propõe entre seus objetivos realizar um balanço das transformações ocorridas desde a Conferência Mundial de Educação Superior no Século XXI: visão e ação (1998), como também estabelecer uma agenda estratégica de desenvolvimento das políticas na área.

Considerando que um dos temas fundamentais a ser tratado em tal Conferência , em Sessão Plenária , será o da internacionalização, regionalização e mundialização, parece oportuno efetuar um sintético ponteio sobre a implementação das ações e sugestões emanadas da Conferência de 1998 e seu Plano de Ação, e as perspestivas nesta nova década a respeito deste tópico.

Para realizar esta análise, não podemos deixar de considerar certos acontecimentos ocorridos desde 1998, no âmbito internacional, latino-americano e regional, que sem dúvida alguma possuem efeitos sobre as políticas desenhadas para a educação superior. No âmbito governamental, e só para mencionar alguns, a constituição de novos blocos regionais e inter-regionais, tais como o Espaço UEALC , a UNASUR , e o ALBA ; e no âmbito institucional, a geração de uma variedade de novas redes e consórcios inter-universitários.

Um primeiro tema a destacar da Declaração de 1998, é a referência permanente ao termo da cooperação internacional, e a formulação das seguintes recomendações: deverá ser adotada a cooperação como parte integrante das missões institucionais dos sistemas de educação superior; todos os atores deverão promover a mobilidade universitária internacional; os estabelecimentos deverão se esforçar para garantir um reconhecimento justo e razoável dos estudos cursados no exterior; a UNESCO, junto com todos os interlocutores interessados da sociedade, deberá tomar medidas para mitigar os efeitos negativos da fuga de cérebros e substitui-la por um processo dinâmico de recuperação dos mesmos...

Adverte-se que o termo cooperação internacional, entendido em termos gerais, como a modalidade de relação entre países, instituições e atores, que buscam um benefício mútuo, para alcançar um desenvolvimento ótimo, foi de alguma maneira, substituído ou ampliado progressivamente nesta última década, por uma tríade que envolve os conceitos de Internacionalização, Cooperação Internacional, Integração Regional , cujas definições devem ser explicitadas considerando, taxativamente, as noções de globalização e mundialização. E são as noções, incluídas como eixos, para esta nova Conferência.

A internacionalização da educação superior, é uma expressão relativamente nova e entende-se como o processo de desenvolvimento e implementação de políticas e programas para integrar as dimensões internacional e intercultural nas missões, propósitos e funções das instituições universitárias. Através da internacionalização tende-se a formalizar os benefícios da cooperação internacional para a comunidade universitária em geral.

A promoção da internacionalização da educação superior implica ações tais como a mobilidade de estudantes, professores e investigadores, as redes de caráter regional e internacional, a internacionalização do curriculum, uma oferta educativa internacional, as duplas titulações, os acordos interinstitucionais, as investigações e pós-graduações conjuntas, o ensino de idiomas e culturas locais, os programas de cooperação para o desenvolvimento, os processos regionais de avaliação e credenciamento da qualidade universitária, as medidas para mitigar a fuga de cérebros.

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Por Gabriela Siufi

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MARIA GABRIELA SIUFI GARCÍA é Argentina. Lic. em Psicologia pela Universidade Nacional de Tucumán (1994) e com estudos de pós-graduação em Políticas Educativas e Investigação para a tomada de decisões (FLACSO- Argentina). Especialista Universitária em Planejamento e Gestão de Projetos de Cooperação para o desenvolvimento nos âmbitos da educação, ciência e cultura pela UNED.

Foi coordenadora da Área de Internacionalização da Educação Superior e Cooperação Internacional Universitária da SPU - MECYT (2003-2005). Atualmente desempenha funções como consultura em temas de cooperação internacional, internacionalização, planejamento e avaliação universitária em diversas instituições e organismos nacionais e internacionais.

Participa como membro de banca convidada em eventos internacionais e como docente de graduação e pós-graduação em diferentes Universidades Argentinas e do exterior. É assessora institucional da Universidade Nacional de Jujuy.

É Assessora na Comissão de Educação Superior do H. Câmara de Deputados da Nação Argentina pela deputada nacional Beatriz Guerci, pela Província de Jujuy. Autora de diversas publicações em livros, revistas e jornais. Algumas publicações recentes:

Co-editora do livro Reflexões e Perspectivas da educação Superior na América Latina. Informe Final – Projeto Tuning – América Latina 2004 – 200, publicado pela Universidade de Deusto e Universidade de Groningen. 2007. É co-autora, com Marcelo Bernal, do livro “Educação Superior, Comércio de Serviços e Sociedade do Conhecimento. Debates e perspectivas sobre a problemática global da educação superior.” , publicado pela UNT em 2007. Colaborou no livro editado pelo IESALC- UNESCO “Tendências da Educação Superior na América Latina e no Caribe” (2008) no capítulo 6: Integração Regional e Internacionalização da Educação Superior na América Latina e no Caribe . Autora do Artigo “ Cooperação internacional e internacionalização da educação superior ” da Revista Educação Superior e Sociedade, Ano 14/ Número 1/ Janeiro 2009 IESALC- UNESCO. Artigo “ Mercosul e Educação Superior ” que integra o Número 9 de “Cadernos Ibero-americanos de Integração” do Centro de Estudos da Ibero-América da Universidade Rey Juan Carlos de Madrid. 2008. Autora do Artigo “O Setor Educativo do Mercosul ” publicado no Livro Educação e Sociedade na Ibero-América. Ensaios em homenagem a Juan Carlos Rodríguez Ibarra. Editor Miguel Rojas Mix, CEXECI, Extremadura, Espanha, 2009.

Foi Co–organizadora da VII Cúpula de Reitores de Universidades Estatais da América Latina e do Caribe, realizada em novembro de 2008 na Universidade Nacional de Jujuy

É Membro do Centro de Estudos sobre Universidade e Educação Superior (CEUES)

Espaço UEALC/ALCUE (União Européia, América Latina e o Caribe), criado em novembro de 2000 com a presença de 48 Ministros de Educação que firmaram a Declaração de Paris, com o objetivo de chegar a constituir o maior espaço universitário do mundo: o Espaço Comum de Ensino Superior ALCUE.

A União de Nações Sul-americanas (UNASUR), formado em Cuzco em dezembro de 2004, por decisão dos Presidentes da região. Na Reunião de Cúpula de Brasília, de 2005, uma Declaração Presidencial definiu a Agenda Prioritária e o Programa de Ação da Comunidade, e aprovou, entre outras, as Declarações sobre a Convergência dos Processos de Integração da América do Sul.

A Alternativa Bolivariana para a América Latina e o Caribe, o ALBA, é uma proposta de integração que enfatiza a luta contra a pobreza e a exclusão social. Concretiza-se em um projeto de colaboração e complementação política, social e econômica entre os países membros. Promovida inicialmente por Cuba e Venezuela, como contrapartida ao ALCA. A Bolívia se aderiu em 2006, a Nicarágua em 2007, a República Dominicana em 2008, Honduras em agosto desse ano e São Vicente e Granadinas em abril de 2009. Recentemente, somou-se o Equador a esta iniciativa.

 

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